Sugestão: Carlos Paredes - Danças Portuguesas
A história que vos vou contar aconteceu há 4 anos.
Tudo se sucedeu no autocarro 37, o transporte que apanhava para regressar a casa.
Nessa altura, tinha 15 anos. Não sabia nada da vida. Nem do que gostava, nem do que queria.
Hoje, posso afirmar que ter visto o que vi, contribuiu para ser quem sou.
Foi num dia chuvoso de janeiro, a primeira vez que entraram na camioneta, duas paragens depois da minha, mesmo ao pé da loja dos animais, que nessa altura tinha na montra um cachorrinho HUSKY SIBERIANO.
Primeiro entrou o Francisco, o mais alto e moreno, contrastando totalmente com o Filipe, de cabelos loiros e tez muito branquinha.
Como habitual da minha parte, eu estava nos assentos, na parte de trás. Pude observá-los, mal entraram.
Compraram bilhete e, um após o outro, percorreram a passagem e tomaram os lugares ao pé da porta de saída.
Cada um captou a minha atenção por mérito próprio. Isto é, não reparei num só porque lá estava o outro.
O moço moreno tinha uma beleza mais selvagem. Enquanto que o outro de cabelos doirados ostentava uma aparência que transmitia tranquilidade e inocência. Tinha os olhos de um azul nunca antes visto. Nem céu, nem mar, nem oceano.
O rapaz mais pequeno tinha a camisola e as calças encharcadas. Não vestia nenhum casaco. E notava-se que estava com frio.
Sentaram-se e depois de Francisco ter arrumado as moedas e o bilhete, despiu o seu casaco e ofereceu-o a Filipe.
«Aqueles dois devem ser os melhores amigos. E provavelmente são muito cobiçados pelas raparigas»
Pensei eu, e não devia ser o único passageiro a fazê-lo.
Quantas vezes se via um rapaz a ceder o seu casaco a outro rapaz?
Aquela era a primeira. Para mim, pelo menos.
Filipe vestiu o casaco, apertou-o até onde conseguiu, e depois pousou a sua cabeça no ombro de Francisco.
«Que coisa tão bonita. Devem ser irmãos.» talvez fosse o pensamento mais comum. E depois eu acrescentava Ou será que..?
Nesta primeira viagem, nada de irreverente se passou.
Estava quase a chegar à minha paragem, quando me levantei, pressionei o STOP e fiquei na porta, mesmo em frente aos rapazes.
Filipe tinha fechado os olhos e permanecia ali, com um sorriso nos lábios, acomodado no ombro de Francisco. Este último manuseava o telemóvel só com uma mão, porque a outra, e neste pormenor reparei já quando ia a sair, estava unida com a mão do seu outro amigo.
Nesse dia, cheguei a casa a sorrir porque tinha a certeza de uma coisa.
Aquilo era amor.
uau! Adorei! E esta é só uma parte? Quero ler o resto, quero, quero! *.*
ResponderEliminarnão acaba aqui.
ResponderEliminarhá-de vir mais ;)
assim como a outra.