Naquela noite, fomos Astronautas.
Plantámos os nossos sonhos no solo casto, para que dele germinasse uma Platónica Nave - toda ela emoções, desejos e crenças.
Pegaste na minha mão, ou eu prendi a tua, e entrámos no veículo que nos iria transportar pelos trilhos do Universo.
E agora, como fazemos andar isto?, perguntei aos seus olhos virentes, e a resposta brotou dos seus rubros lábios,
num idioma que para ser compreendido,
era preciso despojar-me da condição humana
e beber cada palavra sua até beijar os cantos da sua boca.
E então,
a Nave abalou do Solo,
desprendeu-se das raízes que a alimentavam
e com um estrépito som, lançou-se nos ares.
Drapejou pelo céu extinguido, enquanto as nossas línguas acasalavam.
O teu perfume impregnava as minhas fantasias e a sensação do teu toque incendiava as quimeras,
os monstros que se escondiam debaixo da tua ausência.
O teu perfume impregnava as minhas fantasias e a sensação do teu toque incendiava as quimeras,
os monstros que se escondiam debaixo da tua ausência.
Eras capaz de separar a Identidade do meu corpo - reduzias-me a um ser carnal e libidinoso, faminto de prazer - envolto naquela atmosfera ímpia irretorquível.
De mim nada sabia - apenas o teu nome era desenhado pelos meus dedos.
Vertiginosamente, aterrámos na Lua.
Quiseste sair para mirar a nossa Origem.
Quando nos descentramos de nós mesmos, descobrimos que tudo é maior que nós,
atiraste contra mim num tom viril, não tivesse eu preso nos teus braços
teria caído daquele astro.
Prendes-te demasiado àqueles que te cativam. Ténues são as fronteiras que separam aquilo que és, daquilo que queres ter.
Mas somos todos feitos da mesma matéria..., suspirei.
Ainda assim, nem todos usam o coração da mesma forma.
Que dizes?, interroguei - e, só depois, percebi que afinal os nossos tinham feições diferentes...
atiraste contra mim num tom viril, não tivesse eu preso nos teus braços
teria caído daquele astro.
Prendes-te demasiado àqueles que te cativam. Ténues são as fronteiras que separam aquilo que és, daquilo que queres ter.
Mas somos todos feitos da mesma matéria..., suspirei.
Ainda assim, nem todos usam o coração da mesma forma.
Que dizes?, interroguei - e, só depois, percebi que afinal os nossos tinham feições diferentes...
Às vezes adormeço com um silêncio na cabeça.
És tu que lá estás, mas não dizes nada, segredei-lhe ao ouvido.
És tu que lá estás, mas não dizes nada, segredei-lhe ao ouvido.
Sorriu e nada respondeu.
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